
* parceria de Nine e M. D. Amado
O interior rumina as palavras,
como partes de emoções desgastadas pelo alter ego.
Não há rimas que possam embalar os sentimentos perdidos,
nem que venham realçar qualquer verso insosso moldado ao acaso.
As letras escorrem pelos póros,
como a transpiração do corpo já cansado de reter sofrimentos.
Não há prosas nem crônicas capazes de contar nossa história,
nem que tenham a vivacidade de nossas promessas trocadas.
As orações desprendem-se da pele,
como o fétido perfume do corpo em movimento.
Ah, não há sentidos que consigam preencher os textos,
nem que convençam a mente das verdades expostas pelo tempo.
Os beijos em despedida ferem nossos lábios,
como a pele descolando de uma superfície gelada.
Não há teorias que expliquem um adeus tão arrependido,
nem que ensinem como recitar os poemas de nossas línguas.
Sobre os altares da inquisição do pensamento,
os corpos, marcados pelas hábeis palavras nunca ditas,
ardem sob as labaredas do fogo santo.
Não mais beijos, que venham assolar a consciência,
não mais dores, não mais fatos!
A memória rubra, em pira enigmática,
precede as vontades, e incendeia as conexões das lembranças.
Como fumaça, os poemas ascendem aos céus, livres.




