
* Parceria de Nine e M. D. Amado
Vamos pular essa parte de preliminares poéticas!
Vamos fazer a poesia bruta,
até sentir o gozo da rima penetrar a consciência em estado de transe.
Sentir ser formada a melodia errante, que canta as misérias interiores,
mascaradas em sacrilégios e apostasias.
Já que é só isso a alma humana.
Vamos cortar os pulsos dos poetas mortos
Trazer de volta o choro sofrido,
até cuspir os anseios das almas marcadas pela dor.
Sentir as palavras escorrendo pelos lábios das jovens apaixonadas,
disfarçadas de rebeldes sem causa.
Já que é só isso a alma humana.
Vamos enfileirar as covardias
E atirar sem receios,
Até que os medos escorram feito miolos no chão ensanguentado.
Sentir a animalidade saturar o peito, impetuosa e delirante,
deixando na boca o gosto de sangue.
Já que é só isso a alma humana.
Vamos beber da fonte das tristezas cantadas
Atirar as letras contras os muros de pedra,
até furar a pele dos que nele se equilibram, fugindo das decisões.
Sentir o frio que castiga o rosto, ríspido e cortante,
marcando a face do poeta nu.
Já que é só isso a alma humana.
Vamos incinerar a carne putrefata,
e engolir os vermes doentes das misérias carcomidas,
até que o cuspo imundo das verdades tampe a garganta e cale os lábios.
Sentir o silêncio impregnar os tecidos,
Unificando o corpo e a mente, enquanto o coração vira pedra.
Já que é só isso a alma humana.






